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Já postei sobre esse assunto ontem, mas volto ao tema reproduzindo a capa e a matéria do jornal Extra de hoje.
O jornal Extra abaixo cita que Feijão teria sido assassinado por ordem do traficante Canelão que integra hoje a facção do Comando Vermelho.
Em outras palavras, o Comando Vermelho está assumindo a Favela da Rocinha que antes era dominada pela facção ADA, e boatos dão conta de que todas as pessoas ligadas ao Nem (ADA), como era Feijão, podem ser assassinadas. Vejam o relato de moradores abaixo, eles estão em pânico, e dizem que uma guerra está para estourar na Rocinha.
E isso tudo está acontecendo na favela da Rocinha por que ela está "ocupada" pelo Governo do Rio, está o que ?
Fico muito triste, por que hoje quem está pagando um preço alto é os moradores, e aí Sérgio Cabral e Beltrame ?
Numa demonstração de que o tráfico ainda exerce um poder paralelo na favela da Rocinha, em São Conrado, um homem em uma motocicleta, executou com três tiros, na nuca e nas costas, na tarde de ontem, Vanderlan Barros de Oliveira, o Feijão, presidente da Associação de Moradores e Amigos do Bairro Barcelos (Amabb).
O crime é mais uma etapa da guerra pelo comércio de drogas da Rocinha, travada desde o mês passado pelos traficantes Amaro Pereira da Silva, o Neto e Inácio de Castro e Silva, o Canelão. A comunidade está ocupada pela Polícia Militar (PM) desde 13 de novembro do ano passado. Com a morte de Feijão, subiu para sete o número de pessoas executadas na Rocinha nos últimos 40 dias, desde que, em 16 de fevereiro, começou o confronto na favela.
Ex-aliado de Antonio Francisco Bonfim Lopes, o Nem - preso em novembro, dias antes da ocupação da favela - Feijão foi morto na Travessa Palmas, na Via Ápia, uma das ruas mais movimentadas da Rocinha.
O local, segundo moradores, é um dos redutos do traficante Neto, que ainda domina pontos da parte baixa da comunidade.
No entanto, a morte de Feijão teria sido determinada pelo traficante Canelão. Segundo moradores, o assassino, que estava numa motocicleta, desceu a Rua Um, na parte alta da favela, e passou por uma patrulha da PM até pegar o acesso à Estrada da Gávea.
Depois de entrar na Via Ápia, o motoqueiro - que usava capacete - foi à sede da Associação de Moradores, onde foi atendido por uma recepcionista. Após saber que Feijão estava em uma reunião, ele deixou o local.
Às 15h40m, o líder comunitário saiu da associação. O objetivo de Feijão era manobrar uma motocicleta, que estava estacionada. Mas ele não conseguiu caminhar mais do que 50 metros.
O motociclista, que o aguardava do lado de fora da associação, atirou cinco vezes. Três disparos acertaram a vítima, que morreu na hora. Para moradores da favela, não há duvida de que o crime está ligado à disputa entre traficantes.
- Estamos esperando uma guerra muito feia - disse um morador, que pediu para não ser identificado.
Moradores indiferentes diante de crimes
"Sai vitamina de banana! Um açaí! Pedaço de empadão". A loja de sucos que fica no início da Via Ápia da Rocinha estava a mil por hora na tarde de ontem. A menos de 500 metros do local onde Feijão foi assassinado, nem sinal de que um crime havia acontecido bem perto dali.
No entorno, cabeleireiros, lanchonetes, lojas de roupas, camelôs, o vendedor de milho e a carrocinha de sorvete também funcionavam normalmente. Pelas ruas e vielas, moradores circulavam. E o mais surpreendente: até turistas estrangeiros percorriam com tranquilidade a comunidade. É vida que segue na Rocinha.
Último picolé
- Só vou embora quando o último picolé acabar, como todos os dias. Não tem nada de diferente para mim aqui hoje não - disse, sem titubear, o sorveteiro.
A indiferença do comerciante, diante do último crime de uma guerra que começou há mais de um mês, é sentimento predominante entre os moradores da comunidade. O motivo, eles dizem, é que a violência voltou a fazer parte da rotina daqueles que começavam a se acostumar com a paz.
- O que aconteceu hoje (ontem) não surpreende ninguém aqui. Isso aí já voltou a fazer parte do nosso dia a dia - relatou um morador que não quis se identificar.
Apesar da indiferença diante dos crimes, os moradores não escondem o medo diante do que consideram inevitável.
- Vem muita coisa ruim por aí. A favela está sem dono, é terra de ninguém. E vai ter guerra - atesta um homem que vive na Rocinha.
Processos
Feijão respondia a um processo na 29 Vara Criminal por lavagem de dinheiro, junto com Antonio Bonfim Lopes, o Nem. Uma audiência estava marcada para 3 de maio. Num outro processo, Feijão respondia por formação de quadrilha.
Sigilos
Ao longo das investigações policiais, Feijão teve a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico autorizado pela Justiça.
Contas
Vanderlan era suspeito de usar contas correntes de duas empresas registradas em seu nome - a WC Comércio de Gelo e a Barros Oliveira Comércio e Acessórios de Veículos - para quitar débitos da quadrilha de Nem.
Hotel
Feijão participou das negociações para a liberação de hóspedes feitos reféns por traficantes, no Hotel Intercontinental. Ele recolheu as joias dos bandidos presos para evitar a apreensão pela polícia.
Irmão
Vanderlan era irmão de Fábio Barros Oliveira, apontado pela polícia como gerente de bocas de fumo da Rocinha.
'A comunidade não está pacificada'
A Polícia Militar confirmou, por meio de nota, que vem detectando, nas últimas semanas, tentativas de criminosos de recuperar territórios perdidos na ocupação da Rocinha, feita em novembro do ano passado.
Para o presidente da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa, deputado estadual Zaqueu Teixeira (PT), o processo de pacificação da comunidade ainda está longe de ser consolidado. Ele diz que os rumores existentes dando conta que integrantes de uma facção criminosa estão tentando tomar a Rocinha precisam ser levados em consideração:
- Tem que ter uma política de segurança diferenciada porque as (recentes) mortes mostram que a comunidade $ão está pacificada - diz Zaqueu, que pretende propor, aos membros da comissão, a convocação de uma audiência para discutir a situação da favela da Zona Sul.
Já o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj, deputado Marcelo Freixo (PSOL), é mais taxativo:
- O governo (estadual) tem se mostrado meio perdido neste momento. Ouço os moradores da Rocinha, e eles dizem que o problema lá não está resolvido. Esse não é um território que o Estado possa dizer que é seu - concluiu.
- Os moradores têm dito que estão assustados. Muitas crianças não estão indo para a escola. O governo está perdendo a oportunidade de tomar definitivamente a Rocinha - disse a vereadora Andrea Gouvêa (PSDB).