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Falar o que ?
Que o Prefeito Eduardo Pases CAGA e ANDA para a saúde do povo, basta ler a matéria abaixo.
Capa do jornal Extra
No corredor D do setor conhecido como "grande emergência" no Hospital Municipal Lourenço Jorge, um homem de quase 80 anos espera por atendimento. Deitado em uma maca improvisada, colocada há três dias num cantinho do chão próximo a uma porta, ele ainda não recebeu o diagnóstico da doença que o deixou sem fala e movimentos. Mas $o único hospital público da Barra da Tijuca, o paciente está devidamente acomodado num leito, identificado por um número, na enfermaria 999.
Foi desta forma que um funcionário do hospital identificou a enfermaria 999, na verdade um dos corredores da emergência do Lourenço Jorge. Lá, estão internados dez pacientes, que convivem com o intenso movimento e a falta de privacidade.
A identificação é oficial e de uma declaração fornecida pela unidade a um parente de um doente, que precisava justificar sua ausência no trabalho. A pedido da família do paciente, que teme represálias, o EXTRA não publicou o documento.
Doenças contagiosas
Além do corredor D, outros três (A,B e C) encontram-se na mesma situação. Ontem, médicos e enfermeiros usavam máscaras, com medo de contaminação. Na "grande emergência" misturam-se vítimas de atropelamento e portadores de doenças contagiosas, como meningite e tuberculose.
— Para os pacientes, eles dizem que não têm máscara — contou, indignada, uma visitante que tentava proteger o parente internado.
Nos corredores, além de homens e mulheres — a maioria com mais de 60 anos —, acumulam-se pilhas de lixo. Em alguns do percurso, o chão está completamente alagado.
— Se ele tiver que morrer, é Deus quem vai decidir. Mas ele tem direito a ter ao menos dignidade nessa hora — desabafou outra visitante.
Há 16 anos, a mulher — que não quer se identificar — perdeu, naquele mesmo corredor, o avô.
Caminhando pelos corredores não é difícil perceber que a utilização do local como enfermaria não é casual. A prática já $integrada à rotina do hospital. Ao lado das camas, colado nas paredes, existe até um sistema de identificação dos internados.
Secretaria confirma superlotação
A Secretaria municipal de Saúde reconheceu, por meio de nota enviada ao EXTRA, que a emergência do Hospital Municipal Lourenço Jorge opera 40% acima do seu limite de internação. "No entanto, todos os pacientes são acolhidos, estabilizados e recebem o devido atendimento, e, assim que possível, são transferidos para outros hospitais da rede", afirma a secretaria no documento.
O texto justifica ainda em outro trecho que "o uso de macas baixas, sem pés, é protocolo em casos de pacientes agitados, visando à sua segurança, pois evitam quedas".
No hospital, porém, o que se verifica é outra realidade. A maioria dos pacientes internados nas macas que ficam próximo ao chão está debilitada demais para apresentar riscos de queda, de acordo com as próprias famílias. Em alguns casos, não falam nem conseguem se mexer devido ao estágio da doença.