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Reproduzo abaixo um ótimo artigo publicado no Globo escrito por Edson Sardano que é tenente coronel da reserva da Polícia Militar de São Paulo, professor de ética da UniABC e ex-secretário de Segurança de Santo André.
Desataco abaixo algumas partes importante, principalmente a questão da valorização do policial, onde o Sardano diz que investir no policial é essencial para uma política de segurança eficiente.
"...mas ao defender o modelo (UPP) com unhas e dentes e sequer admitir alguma atividade migratória dos criminosos, os governantes cariocas estão assumindo um risco muito grande, pois pode ser que mais adiante tenham que vir a público admitir que se enganaram e nada poderão fazer em relação a todos que foram prejudicados enquanto durou o surto de prepotência. "
"Agora, diante das críticas, vem outra medida de impacto: a compra de dezenas de motocicletas para coibir os arrastões. Pergunto: quem vai operar esse sistema? A atividade policial é sobretudo uma ação humana, de modo que jamais brotará uma solução decente sem passar pelo servidor policial que estará por trás de toda estratégia."
"Digo com toda certeza: uma polícia bem paga, bem selecionada, bem treinada e bem fiscalizada, mesmo que com poucos meios, faz muito mais que uma polícia com os melhores equipamentos e as melhores estratégias, mas com policiais passando necessidade."
Em tempo, no Rio de Janeiro se paga o segundo PIOR salário para um PM no Brasil, o equivalente a R$ 30 reais por dia.
Reprodução do jornal O Globo on line, clique aqui e lei na íntegra.
As Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) têm sido responsabilizadas por alguns setores pelo recrudescimento da violência no Rio de Janeiro nas últimas semanas, coincidindo com a implantação das tais unidades em alguns dos morros cariocas. Pode haver exagero e um certo ranço da "turma do contra", mas ao defender o modelo com unhas e dentes e sequer admitir alguma atividade migratória dos criminosos, os governantes cariocas estão assumindo um risco muito grande, pois pode ser que mais adiante tenham que vir a público admitir que se enganaram e nada poderão fazer em relação a todos que foram prejudicados enquanto durou o surto de prepotência.
O programa é bom, deve continuar, mas está longe de ser a panaceia que o Brasil todo procura para curar essa epidemia que assola todo o país.
Agora, diante das críticas, vem outra medida de impacto: a compra de dezenas de motocicletas para coibir os arrastões. Pergunto: quem vai operar esse sistema? A atividade policial é sobretudo uma ação humana, de modo que jamais brotará uma solução decente sem passar pelo servidor policial que estará por trás de toda estratégia.
Digo com toda certeza: uma polícia bem paga, bem selecionada, bem treinada e bem fiscalizada, mesmo que com poucos meios, faz muito mais que uma polícia com os melhores equipamentos e as melhores estratégias, mas com policiais passando necessidade.
A presidente Dilma Rousseff declarou que uma de suas prioridades será a segurança. Vamos torcer para que ela não se deixe levar pelo apelo demagógico de medidas superficiais, de pura cosmetologia, e se debruce verdadeiramente sobre o tema, buscando uma solução para a sociedade brasileira que não vise a apenas o próximo mandato.
Isso passa, sem dúvida alguma, por uma grande reforma na estrutura da polícia brasileira, que desde o Império ninguém ousa questionar.
Um país que caminha para ser uma das primeiras economias do planeta não pode ter uma polícia todos os dias na páginas dos jornais nacionais e internacionais, protagonizando cenas de violência e escândalos envolvendo corrupção, como acontece por aqui.
Em países de Primeiro Mundo há centenas de lojas vendendo bonequinhos, camisetas, bonés e demais lembranças da polícia local. Não se trata de marketing barato. É a indústria da oferta suprindo a crescente demanda por dignidade.
* Edson Sardano é tenente coronel da reserva da Polícia Militar de São Paulo, professor de ética da UniABC e ex-secretário de Segurança de Santo André
Este texto foi escrito por um leitor do Globo.