Na contagem regressiva para o início oficial da campanha eleitoral, o ex-governador Anthony Garotinho (PR) utiliza seu blog como plataforma de artilharia contra o atual ocupante do cargo, Sérgio Cabral (PMDB), que tentará a reeleição.
Enquanto ameaça revelar supostas novas irregularidades, Garotinho comemora como uma vitória pessoal a divulgação do inquérito do Ministério Público Estadual (MPE) do Rio de Janeiro que investiga denúncia de superfaturamento e supostas irregularidades na licitação de veículos para combate à dengue.
"Disse aqui, que não havia como esconderem a roubalheira. É só o começo. E estamos falando, por enquanto, apenas na secretaria de Saúde", escreveu, em um post nesta semana.
Em outro post, o ex-governador afirmou: "O mar de lama do governo Cabral está vindo à tona". Segundo Garotinho, seu blog conseguiu "obrigar" a divulgação da investigação sobre os veículos da Secretaria de Saúde e Defesa Civil do Estado do Rio.
Garotinho também seguiu acusando o vice-governador Luiz Fernando Pezão de comandar "mutretas (...) na secretaria de Obras, que acumulava até o mês passado".
De acordo com o ex-governador fluminense, "assessores diretos, ligados a ele, enriqueceram tão subitamente, que causaram espanto até mesmo nos funcionários do Palácio Guanabara".
As "mutretas de Pezão", diz Garotinho, envolveriam dinheiro federal das obras do PAC. "Já está tudo mapeado, inclusive, como as empreiteiras entregavam o dinheiro ao seu assessor predileto", afirmou.
"Indícios de cartelização"
Procurado pelo Terra, o ex-governador Garotinho não mostrou documentação que comprovassem suas afirmações. Ele respondeu, por meio de sua assessoria de imprensa, que estava "compilando" estes documentos e que os mostraria assim que estivessem organizados.
No caso investigado pelo Ministério Público, o governo suspendeu em março o pagamento de R$ 4,9 milhões anuais à empresa terceirizada Toesa, pela manutenção de 111 carros usados no combate à dengue.
A média é de R$ 44.189 mil por veículo, superior ao valor de mercado, que é de R$ 34 mil, segundo o MP. Além disso, o preço é muito superior ao pago por manutenção de veículos pela Fundação Nacional de Saúde (R$ 5,7 mil por ambulância) e pelo governo de São Paulo (R$ 1,6 mil).
Além disso, a Toesa, que inicialmente cobrara R$ 5, 2 milhões no edital da concorrência, baixou o preço, poucos dias antes do pregão eletrônico, o preço para R$ 4,9 milhões, enquanto sua única concorrente, a Troiakar, subiu seu preço de R$ 870 mil para R$ 5,1 milhões.
Responsável pela licitação, o subsecretário executivo da secretaria, César Romero Vianna Júnior - primo de Verônica Vianna, mulher do secretário estadual de Saúde, Sérgio Cortes - pediu exoneração do cargo no último dia 30 de abril.
O promotor de Justiça Leandro Navega disse que o MP identificou "indícios de cartelização", com as empresas "possivelmente (...) em conjunto designando preços para fraudar mercado". O MP também instaurou inquérito para investigar se houve crime na licitação.
O governador Sérgio Cabral afirmou que o MP investiga um "episódio específico, que deve ser apurado", Cabral disse que o secretário de Saúde e Defesa Civil, Sérgio Cortes, tem sua confiança e é "o melhor quadro da saúde pública no País".
Cabral afirmou ainda que a área da saúde no Rio está muito mais bem estruturada do que há três anos, quando assumiu o governo no lugar de Rosinha Matheus, mulher de Garotinho, que sucedera o marido em 2003.
O vice-governador Pezão não respondeu à acusação do ex-governador. "O Garotinho me conhece. Deixa ele falar", afirmou. O secretário Sérgio Côrtes também não quis se manifestar.